quarta-feira, 13 de maio de 2020

A tempestade que somos nós


“Mal sabiam eles que nós somos a tempestade”
Elika Takimoto


O mundo mudou, mudou muito de anos pra cá, mudou muito da época dos nossos avos, mudou. As coisas se tornaram mais corridas, tênues, líquidas, frias e imperceptíveis. Nada nunca foi solido, as coisas estão líquidas, na mesma hora que se constroem se desfaz, valores, conceitos, princípios...

Nunca se cobrou tanto das pessoas como nós últimos anos, e nunca as pessoas tanto se reinventaram quanto agora. Vivemos a globalização, o mundo contemporâneo, o mundo sem fronteiras, o mundo conectado, conhecemos tanto de fora e tão pouco por dentro.

A verdade e que nós envolvemos tanto com o nosso dia a dia que esquecemos da gente, de nós mesmo e de nós conhecer. Esquecemos de quem somos, do que somos capazes, esquecemos dos nossos medos, nossos sonhos, esquecemos que somos tempestade que só nós mesmos podemos controlar.

Somos tempestade, quando deitamos na cama e deixamos todo o mix de sentimento transbordar, quando percebemos que precisamos abrir mão de algo para conseguir seguir em frente, quando percebemos que o mundo lá fora existe independente da nossa vontade, da nossa vida e dos nosso problemas.

Somos tempestades quando percebemos que o mundo a nossa volta e frio, quando percebemos que as pessoas não são eternas, e que na maior parte do tempo enfrentamos nossos problemas sozinhos. Não estou dizendo isso para fazer com que você procure alguma auto-ajuda e se iluda com a possibilidade de um mundo de ilusão que coopere com seus sonhos e conquistas. Pelo contrário.

A verdade e que esta e a nossa realidade, a vida continua, a sociedade segue no pé em que esta e não vai parar, por mais tempestuosos que estejamos, o mundo gira e cada um de nós se adapta a isso de alguma forma, alguns conseguem esquecer o lado emocional, cargas emocionais e seguem secos e frios em frente, outros conseguem progresso com medicamentos, já outros seguem, mas seguem sentindo tudo ao extremo, sentindo tudo na pele, mas seguem.

Cada um deve aprender a controlar a tempestade que si mesmo. Na sociedade líquida descrita por Baumann, nada para por ninguém, compaixão não e eterna, felicidade não e eterna, portanto cada um doma a si mesmo e segue da forma que melhor convém. Não tem como mudar, não da para mudar, resta a cada um de nós se adaptar.

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